Desde ontem não para de nevar. A cidade amanheceu branquinha. A neve é linda, mas tem também seus inconvenientes. A Dani voltava de avião e não pôde pousar por causa do mau tempo. Acabou tendo que voltar ao ponto de origem. Eu a estava esperando com uma sopinha quentinha, um copinho de cachaça e uma taça de vinho. O importante é que tudo está bem. Assim que ela chegar, tem comida boa.
Aqui em casa a sopa é muito popular. Nós adoramos. Eu sempre faço. Vocês ainda verão muitas sopas por aqui.
A sopa da vez foi uma de cebolas roxas caramelizadas, aceto balsamico, um pinguinho de shoyu e mostarda. Pra acompanhar, flutuando no líquido brilhante, pãezinhos com queijo Emmental.
Pra cebola ficar aquela calda de caramelo, bem suave, com aquele sabor levemente adocicado é preciso deixá-la no fogo baixo por pelo menos meia hora. Menos que isso não funciona. É incrível o fenômeno. Você deixa a cebola no fogo, no azeite de oliva e na manteiga e vai mexendo de vez em quando. Nisso você vai olhando o relógio. Quando se passam exatos 30 minutos, ocorre uma mudança drástica. A cebola se transforma, adquire esse brilho e essa textura. Coisa linda.
Lá fora, a neve persiste. Boas botas, impermeáveis, são imprescindíveis.